
A maioria das crianças aprende a ler e escrever a partir dos 6 anos de idade. Eu, porém, tracei um caminho longo para o aprendizado de leitura e escrita. E quem lê e elogia os textos e as poesias que escrevo, atualmente, não imagina a dificuldade em minha infância que tinha para aprender a ler e escrever. Por ser uma criança com deficiência física, diagnosticada com paralisia cerebral, com dificuldades em minha fala e coordenação motora, muitos olharam para mim e acharam que eu não seria capaz de aprender a fazer algo. E outra questão que dificultava a minha aprendizagem à leitura e escrita: Eu era uma criança muito hiperativa, agitada, bagunceira, com bastante dificuldade para concentração. Essas dificuldades fizeram algumas escolas desistirem de mim e fecharem as portas para mim. A minha mãe e a minha avó procuravam um colégio específico e inclusivo para crianças com deficiência física. Hoje, muitas escolas aceitam e acolhem crianças e adolescentes com paralisia cerebral, autismo, síndrome de down. TDH, porque atualmente, falam sobre a importância da inclusão. Mas, como eu nasci nos 90 e vivi os anos 2000, não se falava, com bastante frequência, sobre as pessoas com deficiência física e oculta por falta de acesso ao conhecimento e à informação. Então, em 2003, com 9 anos de idade, entrei em um colégio cristão que me recebeu de braços abertos: “Centro Educacional Ana´s Antunes”Um colégio cristão que cujas professoras não só me ensinaram a ler e escrever, mas, me ajudaram a crer em minha capacidade de aprender. Eu me lembro de ter dificuldades com algumas matérias e dizer para as professoras: “Eu não consigo!” E as professoras me dizerem; “Você consegue! Você é capaz! É só você prestar atenção!” Essas palavras carregadas de fé e otimismo eram ditas com amor, empatia e carinho e me tornaram quem eu sou. Eu terminei o ano de 2003, com 9 anos de idade, aprendendo a ler e escrever… Finalmente e felizmente, alfabetizado. Atrasado, mas cheguei lá. E qual é a lição e reflexão dessa história? Nunca é tarde! Não importa a idade, a condição física,a realidade financeira, a posição social, nunca é tarde para sonhar, acreditar, aprender, conquistar e realizar. E mesmo que as pessoas ao nosso redor olhem para nós e duvidem da nossa capacidade, a nossa fé nos torna capazes de até ultrapassar a nossa própria realidade. Hoje, um dos meus hobbies é ler e escrever! E quando as minhas professoras se encontram comigo, elogiam os meus textos e até choram, emocionadas com a sensação de missão cumprida. E isso não tem preço! E o sentimento que nasce em meu coração quando eu me encontro com as minhas professoras é respeito e gratidão por pacientemente me ajudarem e me ensinarem. Então, quero concluir as minhas palavras, dizendo: “Nunca é tarde para você aprender, sonhar e acreditar em você!”





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